Comemora-se hoje, 31 de Março, o Dia Nacional do Acidente Vascular Cerebral. A cada hora, dois portugueses morrem em consequência de um Acidente Vascular Cerebral e 50% dos que sobrevivem, ficam com limitações que comprometem significativamente a sua qualidade de vida. Estas limitações afectarão, não só a pessoa que teve o AVC, mas também todas as pessoas que constituem o seu círculo familiar e de amigos.
De entre as possíveis consequências de um AVC (e.g. motoras, psicológicas), as alterações da fala, linguagem, comunicação e deglutição são as que mais frequentemente levam à procura de um terapeuta da fala.
A afasia é uma alteração da linguagem que ocorre na maioria dos casos de AVC no hemisfério esquerdo (hemisfério dominante para a linguagem). Assim, e de forma muito simples, vários cenários podem ocorrer: a pessoa pode ficar com dificuldades em exprimir-se, em compreender o que os outros lhe dizem, ou ambos, variando o grau de gravidade de cada uma das situações. Acrescento que, contudo, uma pessoa com afasia não perdeu a sua capacidade cognitiva! Essa capacidade está mantida e a pessoa continua tão inteligente quanto era no momento anterior ao AVC, o que se alterou, foi a sua capacidade de utilizar/compreender a linguagem. A título de comparação, imagine que chegou a um país estrangeiro, cuja língua desconhece e onde ninguém fala a sua língua: manteve-se inteligente, consegue fazer os movimentos necessários à fala, mas simplesmente não reúne no seu cérebro as bases da linguagem que lhe permitiriam comunicar com os falantes desse país.A afasia pode ocorrer concomitantemente, ou não, com alterações da fala. As alterações da fala isoladas (disartria e/ou apraxia) surgem quando o AVC lesou uma das áreas motoras responsáveis pelos movimentos dos músculos orofaciais (e.g. lábios, língua, bochechas, mandíbula). Esta lesão causará uma dificuldade em efectuar e/ou coordenar os movimentos necessários à fala, comprometendo a capacidade de se expressar através dela.
Nas situações de afasia, o terapeuta da fala intervirá directamente ao nível das dificuldades encontradas e promovendo a capacidade de comunicação, através do ensino, treino e partilha de estratégias comunicativas com o paciente e a família/amigos.
Depois de compreender porquê que a fala pode ficar alterada depois de um AVC, será fácil perceber por que motivo também a capacidade deglutição se poderá alterar – as estruturas que utilizamos para deglutir, são comuns às estruturas que usamos para falar. Cerca de 51% a 71% das pessoas que sofreram um AVC ficam com perturbações da deglutição (disfagia). Podem, então, surgir dificuldades na mastigação, no encerramento dos lábios mantendo a comida dentro da boca, nos movimentos da língua necessários para envolver o alimento, no reflexo de deglutição (não conseguir engolir), nos movimentos da faringe necessários para levar o alimento para o esófago, podendo ocorrer ainda regurgitação nasal (saída de alimento pelo nariz). As duas principais consequências para o bem-estar da pessoa, estendem-se para além do facto de esta não conseguir obter prazer através da alimentação. Se por um lado o estado nutricional e de hidratação fica comprometido, existe o risco de o alimento entrar nos pulmões (aspiração pulmonar), causando pneumonias de aspiração graves, que nos casos mais graves levam à morte. Torna-se, portanto, essencial que todas as pessoas que sofreram um AVC sejam avaliadas por um terapeuta da fala especializado em disfagia (perturbações da deglutição), de forma a excluir os riscos mencionados, e garantir uma recuperação mais rápida.
Cuide bem de si e sorria, é possível prevenir o AVC! Aqui ficam algumas dicas:
- Mantenha uma dieta saudável, garantindo que o seu peso se encontra dentro dos limites esperados – excesso de peso aumenta o risco de AVC;
- Seja activo – a actividade física regular pode ajudá-lo a controlar o peso e níveis de colesterol e pressão sanguínea dentro do normal;
- Evite fumar – o tabagismo aumenta o risco de AVC;
- Limite a ingestão de álcool;
- Conheça os sinais e sintomas de AVC e em qualquer caso de suspeita, contacte o 112;
- Se tem antecedentes familiares, redobre a sua atenção, monitorizando a sua pressão sanguínea, os níveis de colesterol e glicémia regularmente.


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